A serra da Estrela é a mais alta montanha de Portugal Continental, apresentando-se como o culminar da cordilheira Central em território português, separando o norte e o sul do país, quer em termos biofísicos, quer em termos de ocupação humana. A serra destaca-se facilmente das terras baixas que a rodeiam pelo vigor do seu relevo. Este maciço apresenta-se como um planalto extenso cortado por vales profundos, onde o último período glaciário deixou fortes marcas.  

A altitude, que atinge os 1993 metros na Torre, a posição geográfica e os efeitos das glaciações convertem a serra da Estrela num espaço singular em termos paisagísticos, biológicos e geológicos. É possível observar vales glaciários, com a sua característica forma em U, lagoas e charcos temporários de origem glaciária, moreias, campos de blocos erráticos e afloramentos graníticos imponentes, dos quais se destacam os Cântaros.

Em todo o Planalto Superior é possível admirar múltiplos aspetos da flora e vegetação do tipo subalpino, o que atribui a esta parte da Estrela características setentrionais que sobressaem da envolvente meridional, que constitui a quase totalidade do território continental.

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Vista sobre o Planalto Superior

Panorâmica a partir do Cabeço de Santo Estevão


Relativamente à flora e vegetação destacam-se os cervunais, prados de altitude dominados pelo cervum (Nardus stricta), planta herbácea adaptada ao frio, que cresce em solos profundos, pobres e ácidos e que constitui o principal alimento do gado nos meses de verão. O zimbro (Juniperus communis) e os piornos (Cytisus oromediterraneus) são outros exemplos da flora de altitude que consegue resistir aos ventos fortes e aos nevões do inverno .

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 Piornal

 Cervunal

Quanto à fauna, o lobo (Canis lupus) e a águia-real (Aquila chrysaetus) são raramente observados. No entanto, muitas outras espécies com interesse para a conservação da natureza encontram aqui um habitat privilegiado, como são os casos do falcão-peregrino (Falco peregrinus), da lontra (Lutra lutra), do lagarto-de-água (Lacerta schereiberi), da salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) e da lagartixa-de-montanha (Iberolacerta monticola). Em Portugal, esta última espécie ocorre apenas na Estrela, a altitudes superiores a 1400 metros. 

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 Salamandra-lusitânica 

 Lagarto-de-água


Outrora, o planalto superior da Estrela acolhia, nos meses de verão, grandes rebanhos transumantes conduzidos por pastores que procuravam as pastagens de altitude. Durante a primavera, após o degelo, pastores e rebanhos deslocavam-se desde o sopé, para o alto da serra, vindos do vale do Douro, da Cova da Beira, do Alentejo e mesmo das regiões fronteiriças espanholas. No outono, com os primeiros ventos frios, os rebanhos desciam para paragens mais acolhedoras no Baixo Alentejo, nos campos do Mondego e nas campinas de Idanha. A lã adquiriu tal importância como matéria-prima que esteve na base do desenvolvimento da importante indústria de lanifícios da região, em que a Real Fábrica de Panos da Covilhã se destacou pelo seu papel pioneiro. Hoje, esses movimentos transumantes quase cessaram. No entanto, os inúmeros vestígios deixados na serra por esta atividade, como os abrigos rudimentares, os currais para os rebanhos e os malhões, são testemunhos importantes desse modo de vida.

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Rebanho de ovelha-bordaleira

Chão de Celorico, serra de Baixo

                                                            

Categoria: Serra da Estrela